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quinta-feira, 5 de junho de 2014

"Proposição, entusiasmo , persistência, criatividade e ética, são essas palavrinhas que fazem a diferença", conversa com Renata Marques

Produtora cultural
Renata Marques
Nossa sessão de conversa desta semana será com Renata Marques, e antes de falar tudo que ela sabe fazer muito bem começo agradecendo por ter aceitado o convite para me responder essas dez questões e também pela parceria de sempre, por ter sido uma pessoa muito importante em minha formação, que tive a oportunidade de conviver dias intensos e compartilhar sonhos e produções. Tô contigo e não largo, sou sua fã! [Momento declaração, rsrs... Mas é isso mesmo, uma das coisas que aprendi é reconhecermos as pessoas que estão junto, que nos ajudam e nos impulsionam, Renata é uma dessas pessoas].

QUEM É RENATA MARQUES?

Produtora, Gestora Cultural, Comunicadora e Poeta. Atua a 7 anos no campo da produção e gestão cultural em Natal através de produções independentes e também da Associação Tropa Trupe, um grupo de artistas e produtores envolvidos com as artes cênicas, em especial a linguaguem do circo. No campo da produção tem experiências nas áreas de elaboração e execução de projetos, tendo aprovado projetos anualmente em editais e fundos de cultura. Realizou projetos e intercâmbios culturais com artistas, coletivos e redes da Argentina e Venezuela. É formada em Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN e atualmente é estudante do curso de Produção Cultural do Instituto Federal do Rio Grande do Norte - IFRN.  Apaixonada por literatura é uma poetisa de sensibilidade à flor da pele. Publicou de maneira artesanal o cordel poético "Versos Poti"e o fanzine "Tua". Em 2010 participou de uma audição poética "Toque de Colher Poema" junto com outros 4 artistas da cidade; em 2012 foi contemplada em 1ª lugar no Concurso de Poesia Othoniel Menezes realizado pela Fundação Municipal Capitania das Artes e em 2013 participou da exposição "Poéticas Ensolaradas "no espaço cultural Solar Bela Vista.

1- Como e quando começou seu percurso na área da cultura?  

Renata: Desde pequena tenho uma afinidade com as artes. Eu, por exemplo, gostava de ajudar organizar as festinhas americanas, montar coreografias com as amigas, escrever poemas na escola... Essas coisas sabe? Na época de entrar na faculdade optei pelo curso de comunicação social. Nesse ambiente conheci e me envolvi com o Lado [R], o Fora do Eixo, a Tropa Trupe,  o Egbé de Capoeira Angola e o Coletivo Ame.  Foi bebendo o conhecimento nessas fontes que iniciei meu percurso. 

2- Quais os desafios mais significativos no início de sua jornada como produtora cultural?

Renata: Na verdade eu vislumbro mais incentivos que desafios no início de minha jornada. Afinal a universidade funcionou como uma espécie de incubadora de alguns desses projetos que mencionei anteriormente. Durante os 3 anos que ocupamos a lona do Circo Tropa Trupe tivemos incentivos como projetos de extensão do DEF/DEART/UFRN e grupo permanente do NAC/UFRN. Quando “a casa caiu” ou melhor “a lona rasgou”, foi a experiência e o repertório adquirido nesse período que possibilitou que revolucionássemos partindo de Natal em busca de novas experiências e mais conhecimento. 

3- Como surgiu a Tropa Trupe? 

Renata: A Tropa Trupe veio de São Paulo carregada na caixola dos sonhos de Rodrigo Bruggemannn e contagiou um monte de gente em Natal. Eu fui uma delas!  Hehehe 

4- Como a Tropa Trupe tem se estabelecido profissionalmente na cena cultural? 
#Produção #Financiamento #EspaçoPróprio

Renata: A sustentabilidade foi e continua sendo um desafio nosso. Antes mesmo da “lona rasgar” o contexto que já estávamos vivendo era muito instável , politicamente tínhamos em Natal com a (des)gestão de Micarla de Souza, o projeto de extensão tinha “perdido a validade”, a universidade estava mudando de reitoria e o Departamente de Educação Física não nos queriam mais pelas áreas.  Brincamos que saímos corridos daqui, porque nada conspirava a favor.  Não tínhamos entusiasmo de buscar outro espaço na cidade e então decidimos viajar.  Nosso espaço foi cada coletivo que visitamos, cada praça ou  teatro que nos apresentávamos. Conhecemos muitas organizações e formatos de coletivos e convivência.  Foi muito enriquecedor! Depois de um ano e meio mais ou menos decidimos “encarar” Natal de novo. Meados de 2012 saiu o recurso do Prêmio Procultura de Estímulo ao Teatro, Circo e Dança - 2010 e o Prêmio Funarte de Doação de Equipamentos de Iluminação Cênica - 2011, então decidimos investir em um novo espaço o Galpão Tropa Trupe.  Até ano passado o espaço foi gerido com essa verba. No novo espaço já aconteceram apresentações e oficinas,  uma porcentagem  do valor cobrado sempre é revertida para o galpão. Mas essa entrada é mínima.  Esse ano por exemplo estamos bem apertados e estamos pensando mais uma vez em mudar de local. É custoso a manutenção de um espaço, hoje eu vejo dois caminhos: ou buscamos simplificar ao máximo a estrutura (algo apenas para ensaios e treinos) ou se associa com outros grupos a exemplo da A.B.O.C.A. Mas isso serão cenas dos próximos capítulos... 

5- Atualmente estão trabalhando na produção de um novo espetáculo e para angariar recursos optaram também pelo crowdfunding (financiamento coletivo). Como chegaram nesta estratégia e como ela vem sendo estabelecida, os resultados obtidos e quais dicas você passaria para os que estão em busca de novas maneiras de financiamento?
Para conhecer o novo espetáculo, assistam: http://vimeo.com/84795861

A lenda do trapezista cego
Renata: Aprovamos em um edital apenas 1/3 do valor orçado inicialmente. Mesmo assim iniciamos o processo. Passamos todo o ano de 2013 inscrevendo para editais, e até o primeiro trimestre não havíamos recebido respostas então decidimos que deveríamos buscar de realiza-lo, “si o si” como dizem “nuestros hermanos”. Sabemos que temos um público muito presente e atuante, sabemos de casos entre conhecidos e parceiros nossos que viabilizaram projetos como gravação de CD e viagens, através dessa ferramenta e então concluímos: “porque não tentar?”  Fizemos um vídeo em parceria com o Coletivo Caboré e lançamos no Catarse. A duas semana recebemos a notícia que fomos selecionados no Rumos Itaú Cultural com o Projeto “ Agora eu posso ver!” . Agora sim vamos  viabilizar a finalização, estreia e temporada. Então estamos  revendo as estratégias. Demos uma pausa na campanha, estamos em contato com o Catarse para saber como devemos agir.  Vamos dá um retorno pessoal para cada pessoa que nos apoiou e garantir que elas possam estar na pré-estreia do espetáculo. Mas a Campanha estava indo bem... a ferramenta da colaboração coletiva como uma opção de financiamento de uma ação cultural é muito viável. 

6- Além de se dedicar a produção da Tropa Trupe quais outros projetos e ações você está envolvida ou pretende colocar pra frente?

Renata: Aiiiin são muitas as idéias e possibilidades !!! O próximo passo com a Tropa Trupe é finalizar o processo de montagem e estrear o espetáculo A lenda do Trapezista Cego, co-produção Brasil e Argentina com a Tropa Trupe e o diretor Walter Velazquez. É projeto também criar uma fluxo de conteúdo e programação entre as Casas Artísticas “Na Jaguarari” em Natal , na região metropolitana, e Casa Chico Cajá em Pau dos Ferros, no Alto Oeste Potiguar.  Na Casa Jagurari hoje esta funcionando Estúdio INK Tatoo, brechó de figurinos, lojinha de malabares e o Hospeda Cultura.  Esse ano já passou por lá Mañu e Rafiki (Paraguay), Daiani Brum ( Esparatrapo/SP) e agora nesse período de junho e julho estarão na casa 2 integrantes do Circo Social Mison da Venezuela. Em Pau dos Ferros a gestão da Casa Chico Cajá, fica por conta de Rosane Felix, minha super parceira, professora do IFRN, que  tá realizando um trabalho consistente de educação e formação de público por lá. Esses dias o Projeto “ Para eu parar de me doer” realiza oficinas e intervenções poéticas. Essas mesmas ações do grupo já aconteceram na casa em Natal. 
A Casa Artistica me estimula a pensar, trabalhar e propor projetos de intercâmbio e circulação de coletivos, grupos e artistas. Estou em diálogo com grupos da América Latina na Venezuela, Argentina, Peru e Brasil . Os contatos são através de diferentes linguagens:  artes cênicas (Tropa Trupe, Xibalba Itinerante, Walter Velazquez  e Circo Mison) , artes visuais e comunicação (Urbano Aborigen, Nosostras em la calle, Civone Medeiros, Florencia Goldsman e Coletivo Ame) e música (Clarita Pinheiro , Viover Los Piraos e Kultura Santa).  Agora é um momento de planejar,  elaborar,  semear,   em breve veremos o que brota, o que vinga, o que dá.

7- Como você analisa a cena cultural na cidade de Natal em relação a área circense?

Renata: Temos uma cena cultural circense fragilizada. Não temos diversidade nem pluralidade de grupos na cidade, não é investido em espaços de formação, não somos rota frequente de circulação nem de circos nem de espetáculos circenses... 

8- O que te estimula a trabalhar com cultura?
  
Renata: Eu sou apaixonada pelo que faço, quando faço, onde faço e como faço. O que me estimula é o prazer do encontro, do enlace, da possibilidade, da criação, da transformação. 

9- Quais suas referências culturais, o que costuma ouvir, ler, assistir, quais lugares e programação cultural costuma frequentar?

Renata: Estou passando por um momento bem particular e íntimo, acabei de ter bebê então minhas buscas tem sido muito sobre esse universo. No universo da música descobri: Pequeno Cidadão, Palavra Cantada, Música de Brinquedo... Uma coletânea de canções de ninar de todo o mundo... 
Estou fazendo dois cursos on lines, então  entre uma mamada e outra tenho lido sobre gestão de espaços culturais, economia criativa e elaboração de projetos. 
Todo o processo da gestação até a recém chegada do bebê exige tempo e dedicação exclusiva ... não tenho circulado muito pela cidade, mas seria fácil me encontrar pelo CCR, Casa da Ribeira, A.B.O.C.A, Ateliê Flavio Freitas, Pinacoteca, Gira Dança, Barracão dos clowns, Nalva Melo, Facetas, Buraco da Catita, IFRN ...

10- Em suas andanças por outros estados e países, sempre em contato com artistas, grupos, produtores e articuladores, o que você analisa de uma maneira geral como sendo algo que pudesse nos servir para pensarmos e praticarmos em nossas atuações na área cultural aqui na cidade?

Renata na Banquinha
Renata: Proposição, Entusiasmo , Persistência, Criatividade e Ética. São essas palavrinhas e outras más que aprendi nas viagens e que vejo que fazem a diferença. São essas atitudes e valores que eu gostaria de ver praticado na área cultural de Natal.
Eu sinto falta de mais proposições: oficinas, vivências, rodas, encontros, festivais ... Sinto falta de uma permanência  e continuidade de ações para que os resultados possam saltar aos nossos olhos. Porque uma ação contínua e permanente transforma! E isso é que me fascina na cultura. Você sempre vai está ampliando seu repertório.
Nos lugares onde percebi um maior comprometimento da Gestão Pública as coisas parecem que acontecem, simplesmente porque as coisas são facilitadas. Então eu desejo para Natal um gestor cultural capacitado ( não apenas indicado, nem somente artista) bem criativo, competente, ético,  com uma equipe numerosa  e consciente da  sua função, que trabalhe através de consultas à população, estimulando o protagonismo da cultura viva nos quatro cantos da cidade.  Não resolveria tudo mas melhoraria bastante nosso cenário local, pense! 

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E aí, curtiu a conversa, quer saber mais sobre o trabalho de Renata Marques, Tropa Trupe e outras coisitas más? Segue aqui 2 links que irão te levar aos locais certos:

Site da Tropa Trupe: http://www.tropatrupe.com/
Blog abastecido com os poemas e escritos de Renata: http://versospoti.wordpress.com/


Pois é isso, seguirei conversando com esses incríveis personagens de nossa cena cultural que estão transbordando de conteúdos para compartilhar. Agradeço a leitura e peço que disseminem com os amigos e companheiros de labuta. 
Vamos nessa. Produção Mode On!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Aos estudos!

Este post tem como objetivo fazer um mapeamento rápido de plataformas que proporciona formação a distancia e gratuita para quem atua no segmento cultural. Como sabemos, a cada dia que passa o profissional da área deve estar apto a se locomover no terreno movediço que é o da gestão e produção cultural no nosso país, e buscar por oficinas, cursos, workshops, seminário, livros, vídeo-aula, entre outros, para potencializar sua formação, é uma opção muito válida para engrandecer o repertório de saberes e entendimento, além de aproveitar para ampliar a rede de contatos e possibilidades.
Quem sabe mais é aquele que busca conhecer, que vai atrás de ouvir fulano de tal numa palestra, que numa conversa em mesa de bar escuta os outros e com sinceridade e humildade se posiciona, que senta a bunda na cadeira por horas para estudar o contexto de seu projeto, que está antenado com o que rola ao redor, é também aquele que mete a cara e faz acontecer, que analisa os erros e pesquisa maneiras para o aprimoramento. Tudo que fazemos compõe nossa experiência e vai nos moldando, o conhecimento não é estático, portanto é preciso se reciclar diariamente e nunca achar que já sabe o suficiente, por que todo suficiente é finito. Ah e não vamos querer ficar igual aquela galera da velha guarda que parou no tempo e se acha o entendido só por ter contabilizado primaveras. rs... Não estou generalizando de maneira alguma, mas conheço algumas pessoas desse bloco aí e ,sinceramente, são chatos e ultrapassados. 

Aos estudos, galera!

INSPIRE EAD
É uma plataforma de educação a distância (EAD) é uma importante ferramenta de aprendizagem virtual, que tem como princípio a formação por meio da aprendizagem colaborativa, do compartilhamento do conhecimento e da ampliação do acesso à educação formal e informal, respondendo com eficácia ao desafio da extensão territorial brasileira e às proposições e demandas do mundo contemporâneo.
Acesse: clique aqui!

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS
A Fundação Getulio Vargas é a primeira instituição brasileira a ser membro do OpenCourseWare Consortium – OCWC –, um consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos sem custo, pela internet.
Acesse: clique aqui!

PRODUZIR PRA VALER
Produzir para Valer é uma iniciativa do Clube da Cultura e tem o patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Lei de Incentivo à Cultura e da Oi, com apoio do Oi Futuro.
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EMPREENDEDORES CRIATIVOS
Empreendedores Criativos é um programa único, que reúne pesquisa, informação, qualificação profissional e uma rede nacional de empresários e gestores em busca de inovação, novas referências e ferramentas adequadas ao desenvolvimento de negócios criativos.
Idealizado por Leonardo Brant, o programa é realizado pelo Cemec com patrocínio do banco Santander. Arte, inovação e negócios em uma plataforma múltipla.
Acesse: clique aqui!

PRODUÇÃO CULTURAL NO BRASIL
Produção Cultural no Brasil é uma provocação a todos que tenham interesse em pensar e produzir cultura no país. O ponto de partida para a criação de um processo permanente de discussão e reflexão sobre cultura brasileira e, principalmente, sobre a complexa cadeia que está por trás de uma produção até que ela chegue ao público.
Acesse: clique aqui!

#VAMOQUEVAMO 
é uma série de vídeos-web para formação de empreendedores e competências criativas, criada e apresentada por Rafaela Cappai, da Espaçonave. 
Acesse: clique aqui!

GARIMPO DE SOLUÇÕES
Sessão do site Garimpo de Soluções, uma empresa brasileira de atuação internacional, que atua desde 2003 na criação de conhecimento e no desenvolvimento de projetos e programas pioneiros em economia criativa, cidades criativas e negócios nos setores criativos, que disponibiliza livros em pdf.
Acesse: clique aqui!

CULTURA DE VALOR
Plataforma desenvolvida por Cláudio Machado, onde disponibiliza conteúdo para os profissionais que vivem de arte.
 Acesse: clique aqui!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

"Produção é mais que uma profissão. É um estilo de vida!", conversa com Marcelo Veni

Sobre produção cultural
Marcelo Veni 
Há 18 anos o produtor cultural Marcelo Veni caminha pelas veredas da cena cultural e está cada dia mais arrojado e preocupado com o reconhecimento, a valorização e incentivo aos artistas do estado. Diante dessa pauta em 1998 surgiu a ideia do Prêmio Hangar de Música, evento anual que homenageia e premia músicos potiguares e brasileiros em diversas categorias.
A conversa com Marcelo Veni me parece bem importante para os que estão na batalha cotidiana desse fazer profissional, pois aqui ele compartilha um pouco de sua auto-estima e saberes que foi adquirindo em sua caminhada. É sempre bom poder absorver um pouco de outras experiências e com isso pensar novas possibilidades além de engrandecer o repertório. 
Segue a conversa.

1 - Você é o idealizador e produtor de um importante projeto na cena cultural da cidade de Natal, o Prêmio Hangar de Música, um projeto que não se encerra numa noite bonita e festiva, mas que se configura num processo de produção artística e valorização da cultura local. Como surgiu o projeto do prêmio e como vem sendo executado ao longo das edições?

Marcelo: A ideia do Prêmio Hangar surgiu em novembro de 1998. Queria fazer algo que homenageasse as bandas do estado no dia 22 de novembro ( dia do músico ) e como estava muito em cima, eu fui amadurecendo o formato de como seria a premiação, os troféus, definindo categorias, integrantes do júri, votação popular. Na noite de 30 de janeiro de 1999 estava realizando a 1ª edição do Prêmio Hangar no espaço underground do vice-versa no Centro da cidade.
Com o resultado da 1ª edição e a repercussão junto aos músicos, na sociedade e imprensa, surgiu o desejo de levar a premiação para um espaço maior, precisamente um auditório; assim foi viabilizado o auditório do CEFET/RN. O  Teatro Alberto Maranhão (no bairro da Ribeira) foi o nosso cenário da 3ª a 10ª edição. Foi lá que vivemos e compartilhamos grandes momentos com o público e com os músicos do estado e de outras cidades. No ano passado com o patrocínio da COSERN, através da Lei Câmara Cascudo e Governo do Estado levamos a premiação para o Teatro Riachuelo iniciando um novo momento do Hangar.
Sempre ouvi sugestões, ideias e críticas como forma de melhorar a cada  realização do projeto. E este é o caminho que venho seguindo. O que é bom vem sendo inserido e aproveitado em cada edição.

2 - Atuar como produtor cultural na cidade de Natal ainda é uma função que se esbarra em dificuldades dos mais variados tipos. Com quais problemas você costuma se deparar no seu cotidiano profissional? 

Marcelo: O produtor tem que transformar as dificuldades em oportunidades, sabendo usá-las a seu favor. Quando penso em produzir algo não me apego mais em questões de que isso ou aquilo vai ser difícil. Não penso mais nisso. Vou lá e busco viabilizar. Produção é resultado de trabalho e determinação.

3- Existe um certo modismo na profissão do Produtor Cultural, muito oba oba que acaba criando um boom crescente de produtores na cidade, como você analisa esse momento?

Marcelo: O boom é bom! Não por modismo ou algo parecido, mas pelo próprio filtro que isso causa, podendo no futuro revelar bons profissionais. Os produtores ganham visibilidade aparecendo em entrevistas e divulgando seus projetos nas tv´s, jornais e sites. Temos um curso de produção cultural no Estado (no IFRN campus da Cidade Alta), então passa a ser natural que se aumente esse interesse pela área.  Eu tive a experiência positiva de ter 05 alunos do IFRN como estagiários na produção do Prêmio Hangar 2013, o empenho e a dedicação de cada um foram bastante satisfatórios para mim. Espero que novos produtores surjam e que possam em breve proporcionar bons projetos, viabilizando mercado de trabalho e a acessibilidade aos nossos bens culturais. 

4- As leis de incentivo a cultura são como oásis no deserto, de repente parece a salvação, porém na prática sabemos da dificuldade em captar o valor que lhe foi concedido pelo governo por meio de um tramite legal. As empresas, pelo que me parece, ainda não estão bem engajadas nesse sistema e muitos projetos acabam sendo contemplados pela lei de isenção de impostos, mas não conseguem de fato captar o recurso. Que tipo de ação você acharia interessante, enquanto produtor, para capacitar essas empresas, futuros patrocinadores e colaboradores da cultura na cidade?

Marcelo: Sempre sugeri que a importância e benefícios das Leis Culturais fossem divulgados amplamente pelo Governo via propaganda na TV, folder explicativo, dentre outros canais de comunicação. Isso demonstraria para as empresas e para a sociedade como um todo o quanto é positivo incentivarem a nossa cultura via leis e programas de incentivos culturais. 

5- Como você costuma realizar seus projetos no que diz respeito a patrocinadores? Tem trabalhado com leis de incentivo, editais ou prefere a captação direta chegando ao possível patrocinador/parceiro/apoiador?

Marcelo: Em qualquer situação tem que visitar, tem que ligar, agradecer a atenção dada. Tem que correr atrás das ferramentas disponíveis. Editais, Leis de incentivo, Fundos de cultura, pequenos e médios apoios. Tudo é bem vindo e tudo é necessário. As parcerias públicas e privadas são fundamentais. Na cultura, como estamos no mesmo barco, a ‘’parceria artística’’ beneficia a todos: Produtores, Artistas e público.

6- Há quanto tempo você atua enquanto produtor cultural e como chegou nessa escolha de profissão? 

Marcelo: Profissionalmente trabalho na área há 18 anos. Mas meu envolvimento com a  arte vem desde os tempos de escola; ampliou nas ações político-cultural no movimento estudantil. Tive uma rápida e importante experiência como ator, sonoplasta e contra-regra em grupos de teatros. Durante um tempo me diverti muito fazendo Cazuza cover em gincanas e nas escolas públicas. Em 1996, quando participei da equipe de apoio da Maratona Fotográfica “Zoon Fotografia”, do carnaval do Bloco das Kengas  e dos shows de lançamento do CD da cantora potiguar  Cida Lobo foi quando tive a certeza que meu trabalho seria com  produção cultural.  

7- Quais são suas referências culturais? O que você costuma ler, ouvir, observar, assistir? Que programas culturais você procura frequentar aqui na cidade?

Marcelo: Nasci em Brasília e morei um tempo no Goiás. A mistura musical do rock com o sertanejo raiz me perseguiu desde sempre. O encontro com a obra de Raul Seixas e Paralamas veio através dos vinis que meu pai comprou e jogou na estante da sala. Cazuza foi amor a primeira música. Legião eu devorava junto com os amigos nos corredores do colégio. Minhas referências vem do rock. Entre rebeldias e canções de amor. Vem do poeta gritando ‘’Deus me livre de ter medo agora que eu me lancei no mundo’’. Vem de uma frase estampada na camiseta te fazendo lembrar que “ Liberdade conquistadas, são liberdades conquistadas.’’
Queria ler mais, muito mais. Tenho cinco livros que não consigo terminar de ler. Mais uns cinco para começar. E querendo adquirir outros. Meu trabalho me consome muito. Ouço muita música. Em casa até canto junto. DVD´s de vários títulos da 7ª Arte estão a disposição no meu quarto. Gosto de ter sobrando. 
Vou em programações do centro histórico ao teatro Riachuelo com a mesma naturalidade. Gosto de cinema, fotografia, teatro, vou às festas, projetos culturais e shows dos mais variados estilos musicais do rap ao forró pé de serra, do reggae a música instrumental, do samba ao rock eu tô lá. Além dos espetáculos de dança e demais expressões artísticas, como o circo, por exemplo. In loco muitas vezes o produtor se faz plateia. È bom assistir como público.  Os espaços gastronômicos e a natureza, como Pipa e Baia Formosa, também me apetecem. 

8- Voltando ao Prêmio Hangar. Na edição 2013 a cidade abrigou um belo evento, grandioso, digno de atenção dos artistas, do público e poder público. O processo de indicação dos artistas para a premiação é organizado de que maneira? Como é selecionado o júri e quais critérios são utilizados para a escolha dos vencedores dentro de suas categorias?

Marcelo: Os principais objetivos do Prêmio Hangar sempre foram os de valorizar, reconhecer, incentivar, homenagear e premiar os destaques da música em nosso Estado. Para a seleção dos indicados a destaque do ano em 2013, foram realizadas pesquisas de opinião direcionadas a músicos, produtores, gestores de espaços culturais, jornalistas e artistas em geral no território criativo da Ribeira. Com frequência recebo cd´s, dvd´s, convites para assistir shows. Esse acompanhamento e interação com o trabalho dos músicos nos palcos, na imprensa e redes sociais proporciona um termômetro e um mapeamento interessante do crescimento e destaque dos artistas dentro e fora do estado. Para um projeto de premiação essas informações são fundamentais, formam uma espécie de base, referências que apontam uma direção.
O perfil do júri oficial foi voltado para a produção e o jornalismo cultural. Um estímulo e valorização de iniciativas na área da comunicação que possam contribuir com uma percepção crítica e positiva da produção musical do Estado. 
 Na premiação de 2013 sugerimos aos integrantes do júri oficial observarem os seguintes critérios para a escolha do vencedor em cada categoria:

Capacidade criativa e de inovação: caráter inovador da atração ou produto no decorrer do ano, agregada a contextualização da trajetória do artista e a sua capacidade de renovação e continuidade do próprio trabalho; 
Coerência artística, domínio do conhecimento, objetividade e coerência estética (relativa ao resultado esperado daquilo a que se propõe);
Potencial de Promoção e domínio dos recursos de comunicação: uso de alternativas criativas de comunicação, novas linguagens, mídias contemporâneas ou tradicionais, lançamento de produtos, realização de shows ou apresentações;
Ética e Responsabilidade Social: compromisso com o segmento cultural, observando sua conduta diante da violação de direitos de terceiros, incluídos os de propriedade intelectual; discriminação de raça, credo, orientação sexual ou preconceito de qualquer natureza.

9- Você parece ser uma pessoa bem inquieta, está sempre na rua, participando de muitas ações e prestigiando o que vem acontecendo na cena cultural da cidade. Você acredita que um produtor cultural deve ter como pauta de trabalho a participação em outros eventos que não só o que ele produz? 

Marcelo: Eu penso que deveria. Para mim produção é mais que uma profissão. É um estilo de vida! 

10- As redes sociais funcionam como uma ferramenta aliada do produtor hoje em dia, por proporcionar infinitas informações ao alcance das mãos, conectar pessoas e sobretudo impulsionar uma mídia. Você é um produtor que costuma fazer uso das redes socais no trabalho? E como pensa essa ferramenta?  

Marcelo: Uso diariamente. É um canal direto com as pessoas, com os artistas e outros profissionais. Um termômetro daquilo que se faz e de como as pessoas reagem e o que pensam sobre suas ações e opiniões. Importante para discutir ideias, estabelecer parcerias, definir e divulgar agendas e projetos, não só com os que estou envolvido, como também os que acho interessante. Muitas vezes sou consultado sobre elaboração de projetos, leis de incentivo e até sugestão para nomes de bandas. Consigo lidar com isso numa boa. Gosto e procuro repassar o máximo de informações. Experiências e informações valem mais quando são compartilhadas.


Para conhecer mais:

Videoclipe do Prêmio Hangar de Músia 2013 - 11º edição: http://www.youtube.com/watch?v=GtJzMWdaRpo

Entrevista com Marcelo Veni por Margot Ferreira: http://www.youtube.com/watch?v=6DjfUthp034

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

5 locais que você pode negociar a realização do seu evento cultural

Muitos produtores culturais quando estão começando a trajetória desejam realizar eventos com intuito em divulgar seu trabalho e também movimentar o currículo, fiz e continuo fazendo isso. Para tanto é necessário encontrar um parceiro ou muitos parceiros, e o primeiro é o "Local" onde você poderá realizar seu evento da melhor forma possível, pensando sempre na estrutura, conceito do evento, valores e acessibilidade. Segue abaixo uma listinha com 5 lugares que eu, particularmente, gosto muito e indico para todos que estão na labuta tentando colocar em prática aquela ideia legal, afinal de contas isso só vai fomentar cada vez mais o movimento cultural na cidade e incrementar nossas agendas.


1) IFRN Cidade Alta - Um verdadeiro polo de produção cultural. O espaço é localizado na Avenida Rio Branco, centro da cidade. É um prédio lindo, super equipado. Funciona como Universidade com foco nos Cursos de Produção Cultural, Turismo e Lazer, conta com uma equipe de profissionais atenciosos, sobretudo o professor Lerson Maia, diretor do campus. É um ótimo local para eventos do tipo: Seminários, Congressos, Workshops, Feiras (o pátio é uma ótima localização para isso, mas tem um espaço limitado),  Eventos de exibição audiovisual e também exposições, pois conta com um auditório para mais de 100 pessoas, com sistema de som, ar condicionado, porém em caso de eventos de projeção é interessante alugar um projetor e outras necessidades técnicas, pois o que tem lá não é suficiente para garantir a qualidade que a linguagem merece; quanto a exposições no prédio também tem uma galeria de artes, onde acontece periodicamente exposições. A negociação do espaço é feita via solicitação em ofício com o setor responsável pelos eventos no espaço. Vale sempre ter contato com alguém que estude ou trabalhe lá, indico também solicitar uma reunião com o diretor, pois aí o processo segue mais facilmente.

2) Nalva Café Salão - O lugar mais charmoso da Ribeira. Um salão de beleza e um café ao mesmo tempo e agora. Conta com uma linda decoração, super conceitual e vintage, super indico para eventos como lançamentos de livros, de projetos, show´s de  pequeno porte, confraternizações para poucas pessoas, cabarés (apresentações artísticas) e até aniversários pessoais. A negociação deve ser feita com a dona do espaço Nalva Melo, que sempre está no local em dias de semana. Importante ligar antes e solicitar uma reunião para apresentar o projeto e negociar um valor de locação ou uma permuta. 

3) Solar Bela Vista - Casarão antigo localizado na Av. Câmara Cascudo, Cidade Alta. Um espaço com capacidade para 200 pessoas, conta com um auditório condicionado com espaço para 50 pessoas bem acomodadas; Um salão amplo com piso em madeira, lustre e ótima iluminação, além de ter um palco no salão. Além dos espaços internos tem um belo jardim e um pátio, todos espaços super iluminados e muito elegante. O casarão mantém toda estrutura da época em que foi construído. Hoje é um espaço cultural mantido e gerido pelo SESI, tem uma programação cultural fixa e também realiza eventos extraordinários.  Para realizar um evento no local é importante entrar em contato com a gerente Dodora Guedes, apresentar o projeto e negociar o uso do espaço. Não é permitido eventos pessoais como aniversários, casamentos, confraternizações e outros, caso você queira realizar algo por lá é importante ser um evento cultural, aberto ao público e que entre em parceria com o SESI. Indico para realizações do tipo, lançamento de livros, exposições de artes, show´s, feiras, eventos de audiovisual, seminários, palestras, oficinas. 

4) Najaguara CasArtística - A casinha mais coração de mãe que existe na cidade. Um local super bem localizado, fica na Av Jaguarari, nº 1749, ao lado da gêmeos rodas no Alecrim. Atualmente a casa é ocupada com o Ateliê da artista plástica Civone Medeiros e também acontece por lá eventos musicais, poéticos e oficinas. É um espaço ótimo para pequenos eventos como, saraus, exposição, oficinas e até base para produções culturais, pois o espaço se pretende também como um ambiente de trabalho coletivo para grupos e artistas. A negociação deve ser diretamente com a produtora Renata Marques. Antes a casa funcionava como base da Companhia circense Tropa Trupe, hoje o projeto se ampliou e está aberto as parcerias. 

5) Casa da Ribeira - Teatro, café, ponto de leitura, de exposição... A Casa é um espaço cultural completo, ótima estrutura, localizada na rua mais badalada da Ribeira Velha de Guerra, Rua Frei Miguelinho, já conhecida como burburinho artístico de Natown. O sistema de negociação é direto com a equipe de direção do espaço, lá existe valores de pauta, importante levar o projeto e negociar. Indico para eventos dos mais variados tipos, lançamentos, shows, apresentações cênicas, exposições, oficinas, palestras, conferencias, seminários, coqueteis e encontros.



Agora é preparar um projeto bem bonito, ligar para o local que deseja ocupar, marcar uma reunião e fechar negócio. Lembre-se sempre: é preciso pensar no seu público-alvo, para que todos tenham fácil acesso ao local. Pense em paradas de ônibus, ponto de taxi, horários e preços de entrada, caso não seja gratuito o evento.
Agora mão na massa. Produção Modo On!


Nathalia Santana